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Tabuaço, 27 jan (Lusa) -- No Douro Património Mundial da UNESCO ainda hoje se verificam erros de construção, quer na implantação de casas, quer de vinhas, que não respeitam as linhas de água ou o leito de cheia, colocando em causa a própria segurança.
"Construção civil não é arquitetura", afirmou o chefe da Estrutura de Missão do Douro, Ricardo Magalhães, que falava à margem do debate "Paisagens e Cultura", que decorreu hoje, em Tabuaço.
O responsável considerou que muitos dos saberes do passado se perderam e, por isso, diz que hoje se veem "casas distribuídas como cogumelos". "Nascem onde menos se espera, sem qualidade, próximas de leito de cheia ou em linhas de água, colocando em causa a própria segurança".
Ricardo Magalhães defendeu um reforço da fiscalização mas, salientou, que este problema tem também uma dimensão cultural.
"Temos que afetar mais meios à fiscalização, mas isto não se resolve só com polícias, é preciso dar informação, ajudar tecnicamente na fase ainda de projeto, de forma a que, depois, as casas estejam bem enquadradas na paisagem", sublinhou.
Casas mas também as vinhas, que muitas vezes sobem até ao alto das serras, de locais de grande inclinação, não se respeitando também as linhas de água.
Teresa Andresen, da Universidade do Porto, disse mesmo que os operadores são máquinas, "são acrobatas fantásticos", estando-se a "extremar a paisagem". "Temos que resistir a mais um patamar".
O arquiteto Siza Vieira, que também participou no encontro, optou por deixar grandes elogios à paisagem e aos ancestrais construtores da paisagem, os agricultores, que considerou que não brincam. "Grande arquiteto que é o agricultor", frisou.
Siza fez uma apreciação otimista, mas deixou algumas críticas ao "acumular de erros" de arquitetura que se encontra, sobretudo, quando se chega às cidades ou às aldeias.
O arquiteto já desenhou para o Douro o armazém de envelhecimento de vinho da Quinta do Portal, e disse mesmo que, quando a paisagem é bela, ela conduz o desenho, ajudando a encontrar a escala ou as cores.
Por fim, Ricardo Magalhães considerou que o património, monumental, natural e paisagístico, ainda não tem o efeito que se pretende na economia da região. "Já gera algum rendimento, mas é de uma forma indireta. É preciso criar produtos, sejam rotas, percursos, viagens, produtos mesmo materiais que gerem emprego", defendeu.
Este foi o segundo debate do ciclo de conferências "Que Douro na próxima década", iniciativa que surge no seguimento do programa evocativo dos dez anos da classificação pela UNESCO do Alto Douro Vinhateiro como Património da Humanidade, lançado no dia 14 de dezembro.
No final do debate, a Entidade Regional Turismo do Douro apresentou o Guia Turístico do Douro.
PLI.
Lusa/Fim